Relações abusivas
Faz tempo que tenho pensado sobre as relações abusivas, especialmente porque fui vítima de uma relação assim. Nesta experiência, eu achei que era aquilo mesmo, que o excesso de atenção, cuidado e limites eram zelo, refletiam amor.
Mesmo quando uma amiga me dizia quando me visitava naquele tempo: "Sannya, você parece um passarinho engaiolado", eu não entendia bem o que ela dizia, o que aquelas palavras queriam dizer. Agora eu sorrio do pensamento. Mas há relações que são gaiolas, que prendem, que machucam, que fazem sofrer.
Nem sempre nos damos conta de que estamos em uma relação desse tipo. Por vezes, pessoas, como eu, levam anos para saber que foram muito afetadas por um relacionamento assim e que viveram uma relação com esse nome: abusiva. Eu achava que tinha sido apenas um relacionamento que fracassou.
Luiza Vono, coaching de relacionamento, idealizadora do curso Mulheres de Impacto, que estou fazendo, diz que muitas mulheres vêem isso em casa e meio que naturalizam tal comportamento. Eu concordo com ela. Os modelos estão ao nosso redor. Ela ainda diz mais: sempre começa pequeno. Pode ser uma crítica à sua roupa, à forma de você preparar a comida, de conduzir conversas até chegar à agressão.
O certo é que sempre evolui. E não fica melhor. Nem todas as mulheres conseguem sair antes que evolua, antes que a agressão se instale. Nem todas conseguem ver os sinais, que soam como alarmes, e que deveriam nos fazer correr para bem longe disto.
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Não acredito em conversa conciliatória em tais relacionamentos. Não acredito que o outro vá deixar ir. Eu fugi. Corri mesmo. Me escondi. E me fechei. Me protegi. Foi minha forma de proteção. No meu luto, percebi que o amor também machuca e que dói para caramba (Como dói!), pelo menos um certo tipo de amor.
Tenho pensado em como nós, mulheres, somos pouco preparadas para a assertividade, para o empoderamento, para o posicionamento crítico, dentro de relações sadias, uma vez crescendo dentro de sociedades patriarcais, machistas, leais a certo tipos de pensamentos e comportamentos. Penso que é difícil quebrar as candeias que nos prendem a estes sistemas, mas também é possível. É possível viver outros modelos de sociedade, de comportamentos, de relações.
Não consigo imaginar outra forma de me movimentar em outras direções do que a do autoconhecimento que leva, por sua vez, ao empoderamento. Entretanto, sei bem, por experiência própria, que ninguém consegue sozinho. Precisamos de conforto, de carinho, de validação. Para sararmos. Leva tempo.
E precisa de muito amor-próprio. Que não nasce do dia para o outro. Precisa ser ensinado, alimentado. Porque ele parte do auto-conhecimento e de decisões, especialmente sobre o que não queremos nunca mais viver.
Sigamos.

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