Processos
Quase 43 anos e muitas evoluções e involuções. Dentre estes processos, recordo que durante meu noivado eu tinha dificuldades em me comunicar, em me fazer ouvir, em assumir minhas opiniões e pensamentos. Mesmo estando em níveis de desenvolvimento humano diferentes, eu não conseguia falar, me posicionar sem grande sofrimento. Recordo de adoecer com frequência (minha imunidade baixava com frequencia) e também de ficar sem fôlego quando chorava. Mal conseguia respirar. Isso me levou ao extremo do cansaço emocional. Faltavam muitas ferramentas para gerir minha vida emocional, que de certo modo, implicou em algum atraso no meu doutoramento. As inseguranças se alastravam.
Após o fim do noivado, num processo de reencontro comigo mesmo, de refazimento emocional, precisei organizar muitas coisas em minha vida, formas de agir e de pensar. Eu estudava as emoções e de repente percebi que precisava colocar muitas coisas em movimento daquilo que eu lia, que eu aprendia. Uma delas foi melhorar minha comunicação e a ser mais assertiva. Isso me ajudou a ser valente e a finalizar o processo do doutoramento. Eu passei rever o que eu comia, me libertei do hábito de não fazer exercícios, comecei a cultivar plantas e criei inúmeras estratégias de concentração na etapa final da minha pesquisa. Consegui tirar prazer de ir ao cinema e ao café sozinha, sem que isso me deixasse triste. Melhorei minha comunicação verbal.
No retorno ao Brasil, isso me ajudou bastante, mas não como eu esperava e nem como me precisava. Os cargos que eu assumi na universidade nos últimos oito anos me fizeram reter o fôlego, pisar no freio sobre várias decisões e em muitas delas, eu paralisei, tamanha eram as responsabilidades.
Neste ínterim ou até hoje percebo que dou milhões de passos e travo em alguns. Conquistei coisas complexas e paraliso diante de decisões mais simples.
Nos últimos dois anos, estou sempre sendo posta diante da necessidade de tomar decisões muito difíceis, e algumas delas não agrada a todos. Agradar a todos? Necessário? Não sei... Mas... tem sido estressante.
No último ano contei com muita ajuda, profissional e da advinda da minha roda de amigos pessoais e de familiares. Especialmente nas ocasiões em que quase perdi o fôlego, em que os batimentos cardíacos aceleravam e em que tudo parecia escurecer.
Mas em nenhuma destas ocasiões e nestes processos me preparou para a difícil situação em que sou examinada de milhões de maneiras e regras, da classificação de que sou inadequada ou insuficiente. Posta em situação em que presumir ganhou do saber.
Estar ferida me desequilibrou, me tirou o riso, me tirou a segurança.
Aquele processo iniciado há 9 anos sofreu start novamente e precisa ser reiniciado.
Quando falei no início deste texto sobre as evoluções e involuções, relembro Yanla Vazant que diz que no processo de desenvolvimento humano e pessoal, subimos e descemos os níveis de uma casa, ora em direção ao sótão, ora em direção ao porão. Seguindo esta metáfora da casa usada por Vazant, preciso sair dos meus "entretantos", na direção de alguns dos níveis, especialmente na direção do sótão, indicador maior de evolução pessoal, quando encontramos aquilo que nos faz felizes.
Processos. Movimentos. Decisões, Consciência. Internalização. Reorganização interna. Processos necessários.
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